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Univates se destaca como berço de empreendedores

fonte: O Informativo do Vale
data: 02/02/2015

No Inovates, pelo menos 12 empresas já se graduaram e outras 19 estão em fase de incubação.

Os prédios 19, 20 e 21 da Univates são os mais afastados do restante do campus. O maior deles - o 20 - possui cinco andares, e uma área superior a cinco mil metros quadrados. Uma das entradas da edificação é voltada ao estacionamento. Dela, é possível visualizar parte do saguão do primeiro andar: após a porta, à esquerda, encontra-se a escadaria de acesso aos andares seguintes; ao lado, uma área de convivência disponibiliza local para leitura ou para refeição, ofertando lanches rápidos em máquinas snakky (que liberam o produto após a inserção de moedas).

Do outro lado do corredor, a porta fechada guarda um auditório, com 110 lugares. Há também uma secretária, que recepciona os visitantes do edifício e, ao lado dela, oito poltronas dispostas em dupla na forma de um quadrado. Sobre elas repousa um quadro que carrega a assinatura da Univates, da Prefeitura de Lajeado e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Mas são os nomes dispostos no "miolo" da placa retangular que enchem de orgulho a instituição: são empresas como a "Visão i" e o "Studio A", que já foram incubadas pelo Centro de Inovação Tecnológica da Univates (Inovates) e hoje servem de exemplo aos novos empreendimentos incubados no local. Em atividade desde dezembro de 2003, a Inovates foi incorporada pelo Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari (Tecnovates) em 2011. Desde seu início, 12 empresas foram "graduadas" no local, e outras 19 estão atualmente em processo de incubação.


Fomento de empresas

Seja em sala de aula ou na incubadora tecnológica, a Univates configura-se como um berço de empreendedores. Como explica o professor Eloni José Salvi, Diretor Administrativo do Tecnovates, as empresas incubadas no local recebem apoio da instituição desde a formatação do negócio, passando pela concepção do produto ou serviço, até o apoio em eventos, na busca de recursos e na captação de clientes.

"As empresas que nascem aqui têm maior chance de sucesso porque recebem suporte em todas as áreas em que os empreendedores costumam ter dificuldades. Se precisam de ajuda na área de design, tem gente aqui para auxiliar; se precisam na área de contabilidade, ou na parte administrativa, também tem. Isso aumenta as chances de o negócio ter sucesso, porque o suporte ocorre no dia a dia, é uma atenção permanente", explica Salvi.


Vantagens da incubação

Atualmente, as empresas incubadas são divididas em duas áreas: a primeira é composta por novos empreendimentos, são negócios que ainda estão nascendo; a segunda abrange empresas que já estão estabelecidas, mas que querem um suporte para aprimorar seu portfólio de produtos ou serviços. Para que eles tenham sucesso, pelo menos 15 funcionários do Parque prestam assistência direta e permanentemente aos empreendimentos.

Como argumenta Salvi, além da assessoria que recebem e de todo o apoio profissional prestado na incubadora, as empresas podem utilizar também o espaço físico do Prédio 20, serviço de secretaria, locais como auditório e sala de reuniões, internet, telefonia, ar-condicionado e segurança.

"E tudo isso por um custo vantajoso. Uma empresa que está nascendo, por exemplo, vai pagar menos de R$ 200 por mês para estar incubada e ter toda essa estrutura. Mas, justamente por isso, somos muito rigorosos na seleção. A empresa que quer ser incubada precisa apresentar um conteúdo inovador, com novas possibilidades de negócio. Precisam deixar claro que podem gerir uma empresa", acrescenta.


Serviço

A seleção para incubar novas empresas é feita através de editais. No site do Tecnovates (www.univates.br/tecnovates), há links para seleção tanto de empresas que estão nascendo quanto para as que querem aprimorar produtos ou serviços. Porém, as vagas para novos empreendimentos são limitadas.

O prédio 20 possui três andares destinados à incubação - dois deles com oito salas cada; o terceiro tem 20. Deste total, apenas oito estão disponíveis, com média de 50 metros quadrados cada uma. Há também uma segunda unidade do Tecnovates, em Encantado, com dez salas livres. Para preenchê-las, um edital específico para a cidade deverá ser lançado.

Após selecionadas para incubação, as empresas ficam por três anos neste sistema, com estrutura e assistência disponíveis. Neste período, podem optar pela incubação interna, em que ocupam as salas na Univates, ou pela incubação externa, em que mantém o vínculo com a instituição mas realizam seu trabalho em uma sede própria. Após esses três anos, a empresa está graduada.

De acordo com Salvi, após graduadas, as empresas mantêm relação com a incubadora por mais cinco anos. Neste período, continuam recebendo assistência, e podem também utilizar a estrutura do local. "Ela (a empresa) também paga um pequeno valor de 'reembolso' pelo tempo de incubação. É um percentual sobre o seu faturamento, limitado a R$ 12 mil por ano", esclarece.

O professor explica também que, em alguns casos, o incentivo ao empreendedorismo nasce em sala de aula, e nem passa pelo processo de incubação. "Mas não temos como controlar esse número, porque precisaria de uma equipe específica para isso. Tem disciplinas em que os alunos elaboram planos de negócios, mas não sabemos quantos desses realmente saíram do papel e entraram em atividade", conta.

O único levantamento lembrado pelo professor dos últimos dez anos foi feito com ex-alunos do MBA em Gestão Empreendedora de Negócios - em uma década, pelo menos 25 novos negócios foram gerados pelos estudantes durante ou logo após frequentarem o curso.


Studio A, e a arquitetura sustentável

Formada em 2009, a arquiteta Letícia Constantino Kich decidiu, junto com duas colegas, criar seu próprio escritório: o Studio A Arquitetura. Após a criação, participaram do processo de seleção para ingressar no Centro de Inovação Tecnológica da Univates (Inovates). "Eles exigiam que a empresa tivesse um diferencial. Então, eu e minhas sócias debatemos e resolvemos focar na arquitetura sustentável", conta.

Com essa decisão, Letícia buscou especializar-se. Fez uma pós-graduação em Sustentabilidade e Eficiência Energética de Edificações, também na Univates. Suas sócias desvincularam-se da empresa há alguns anos. Atualmente, junto com a arquiteta, trabalham três estagiárias de Arquitetura e uma do curso de Administração, responsável pela parte administrativa do escritório.

A empresa entrou no Inovates em 2010. Após um ano de incubação interna, em fevereiro de 2011 mudou-se para uma sede própria, no Centro de Lajeado, entrando em um período de incubação externa. Agora, a Studio A Arquitetura é uma empresa graduada pelo Tecnovates.

Em 2014, o empreendimento atendeu cerca de 90 clientes, uma realidade bem diferente daquela encontrada nos primeiros anos de atuação. "Nossa principal dificuldade no início era ser uma empresa nova no mercado. Acho que isso é complicado para todo mundo. Ninguém conhecia o nosso trabalho. E a incubação nos ajudou bastante nesse sentido. Ter a Univates apoiando a empresa incentivava novos clientes a confiarem em nós."

Além disso, a entrada do escritório na Inovates colaborou também para o seu processo de profissionalização, com consultorias e capacitações quase mensais. "O diferencial para a empresa incubada é que ela não apenas atende aos clientes, mas também pesquisa, busca ideias diferentes e inova." Essa linha de inovação alinhou-se bem à questão da sustentabilidade proposta pela empresa. A arquiteta busca projetar os espaços de forma sustentável, otimizando recursos naturais e sistemas da edificação que minimizam o impacto sobre o meio ambiente e seus habitantes.


Visãoi e a criação de sistemas web



Em funcionamento desde 2005, a Visão i - Sistemas de Internet foi uma das empresas pioneiras no Inovates. Sua idealização, porém, começou um pouco antes, quando Fábio Locatelli, proprietário do empreendimento, ainda trabalhava na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), instituição em que se formou. "Conheci lá esse modelo de incubadora tecnológica, e tive experiência na área atendendo empresas incubadas. Quando soube que a Univates estava procurando empreendimentos para incubar, fiquei interessado em participar", explica.

Segundo Locatelli, foi um aprendizado mútuo, porque o Inovates também estava aprendendo a melhor maneira de colaborar com os negócios que ainda estavam começando. "Foi um período muito importante para o nosso crescimento. Não apenas pela estrutura física que recebemos, com telefone, secretária, impressora, mas também pela troca de ideias com outras pessoas. Este processo acelerou bastante o desenvolvimento da empresa. Se não começássemos por ali, teríamos muito mais dificuldade", acrescenta.

O período de incubação ajudou o empresário também a focar no produto que estava desenvolvendo: de um serviço de produção de sites dinâmicos personalizados, a empresa evoluiu para a criação de sistemas web, portais corporativos e intranet. Atualmente, possuem cerca de 40 clientes fixos, de todos os portes, e de vários lugares. Como a internet permite transpor fronteiras, já prestaram serviços até para uma corporação chinesa.

"Embora a incubadora nos auxiliasse na hora de direcionar os esforços para o desenvolvimento dos produtos, muito vale do empreendedor. Claro que o auxílio da Univates é importante, mas depende do empreendedor utilizar esses recursos disponíveis para fazer sua empresa crescer", acredita.